O orgulho e o amor pela lida no interior é compartilhado pelo casal de associados da Cotrijal Ionara e Bruno Müller, que moram em Santo Antônio do Planalto/RS. Eles vivem juntos há seis anos e cada um carrega uma trajetória também construída no meio rural.
Atualmente, com 25 e 29 anos, respectivamente, Ionara e Bruno dividem as atividades na propriedade: Bruno ajuda principalmente o pai com a produção de soja, milho, trigo e aveia e Ionara trabalha mais focada no seu negócio de produção de leite, além de apoiar na lavoura.
“Quando decidimos em morar juntos, nossa escolha era certa em permanecer no interior”, ressalta a associada. Ela conta que não teve dúvidas sobre o caminho a seguir: “sempre incentivei o Bruno e sempre tive a vontade de ser mãe cedo, construir uma família e criar meus filhos no interior”. Porém, o processo de permanecer no campo também é carregado de desafios, “por sermos jovens algumas pessoas não acreditam que somos capazes de fazer o negócio dar certo”, conta.
O trabalho no leite começou com apenas duas vacas e com a produção de queijo para venda. A atividade foi crescendo, foi construída uma nova sala de ordenha e hoje já são 14 animais e seis anos vendendo leite. “Me vejo evoluindo na genética do rebanho. Já dei os primeiros passos, adquirindo animais de produtores com genética muito boa, mas ainda estou no caminho”, compartilha a associada sobre as expectativas para o futuro.

“Eu, com 12 anos, já ajudava meus pais na atividade leiteira, peguei amor pelas mimosas e sigo com a lida com muito orgulho”
– Ionara Lenz de Paula Müller, associada da Cotrijal
O casal tem ainda um ajudante muito especial: o filho Ravi, de 2 anos, acompanha eles nas atividades e já demonstra interesse, principalmente pelos tratores: “levamos ele junto para criar esse vínculo de amor pelo campo e gostar do interior, pensando em futuramente ele ser nosso sucessor e ajudar na lavoura. Claro que depois o Ravi vai escolher, mas temos que incentivar desde cedo”. Para os associados, o incentivo desde a infância e a valorização do legado construído pelos pais são fatores decisivos na escolha de permanecer ou não no campo. “Eu, com 12 anos, já ajudava meus pais na atividade leiteira, peguei amor pelas mimosas e sigo com a lida com muito orgulho”, reforça Ionara.

Na Cotrijal, essa permanência no campo, com o preparo dos jovens para seguirem nas atividades rurais de forma planejada, organizada e conectada às mudanças do agronegócio, é incentivada por meio do programa Supernova, do qual o casal já foi participante.
Para a associada, “buscar conhecimento é sempre importante. Já colocamos alguns aprendizados em prática e já temos definido que queremos fazer a sucessão familiar, então tudo o que aprendemos vem para somar. Para os jovens que ainda estão em dúvida, é uma forma de mostrar que é possível permanecer no campo e trabalhar com atividades rentáveis, com dedicação e o apoio técnico da cooperativa”, explica, reforçando a importância da iniciativa para que os jovens percebam o potencial e o valor de trabalhar no campo. O programa aborda, por exemplo, temas relacionados à sucessão rural, gestão das propriedades, tecnologias, tendências e inovação.
Ao olhar para o futuro e para o legado que está sendo construído, o desejo do casal para os próximos anos se estende a todo o setor: que todos os produtores tenham safras cheias, superando os desafios enfrentados nos últimos anos, principalmente relacionadas ao clima.