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BNDES não compreende dimensão da agricultura, diz Stephanes

CAMPINAS - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou, em conversa com a Agência Estado, a demora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em liberar recursos ao setor agrícola em um cenário de crise de liquidez. "O BNDES não compreendeu ainda a dimensão e as necessidades da agricultura em um quadro de crise. Essencialmente, há uma burocracia para um quadro que precisa de decisões mais rápidas", disse o ministro ao ser indagado sobre qual seria o principal gargalo para a liberação, por exemplo, de recursos para as usinas financiarem a estocagem de etanol. Na semana passada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ao anunciar o resultado da moagem e produção no primeiro mês da safra de cana-de-açúcar 2009/2010, criticou o governo federal pelo atraso na liberação dos recursos para o financiamento de estoques de etanol, anunciada em 5 de março, num total de R$ 2,5 bilhões. Os recursos são liberados via BNDES. Com o excesso de oferta no início da safra, o litro do etanol segue negociado abaixo do custo, cenário que poderia ser diferente caso a oferta fosse controlada por meio do financiamento de estoques.
Stephanes revelou ainda que entre terça e quinta-feira deve ter uma reunião com o ministro da Fazenda Guido Mantega para definir o Plano Agrícola e Pecuário de 2009/2010, a ser anunciado entre junho e julho. O ministro disse que estruturalmente o plano não terá mudanças em relação ao da safra passada e reafirmou a previsão de recursos entre R$ 90 e R$ 100 bilhões para a agricultura. "Se não chegar aos R$ 100 bilhões, chega pertinho. Mas serão entre e R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões", disse. No ano passado, foram destinados R$ 78 bilhões. O ministro participou, nesta segunda-feira, da cerimônia de 20 anos de Embrapa Monitoramento por Satélite, em Campinas (SP), e, em seu discurso, aproveitou para criticar também os ambientalistas. Ao comentar que a agricultura e pecuária podem dobrar a produção no País sem que haja desmatamento, Stephanes cobrou a ampliação para outros setores do debate sobre o meio ambiente, restrito apenas, de acordo com ele, aos ambientalistas. "Na legislação ambiental brasileira nunca ouviram outros participantes, como a pesquisa ou o setor produtivo, por exemplo", concluiu o ministro.

Fonte: Gustavo Porto, da Agência Estado