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Planejamento garante o aumento de produtividade no plantio direto

Planejamento garante o aumento de produtividade no plantio direto
Agricultores debateram o uso de plantas de cobertura no sistema de plantio direto

Planejamento. Esse foi o principal recado passado aos produtores que prestigiaram reunião-debate sobre utilização e alternativas de plantas de cobertura para melhoria do sistema de plantio direto. O evento foi realizado nesta quarta-feira, 13, na Expodireto Cotrijal.

O encontro, realizado na Casa do Plantio Direto, começou com uma explanação do agricultor Vinicius Kraemer, de Carazinho. O produtor colhe uma média de 85 sc/ha de soja e 252 sc/ha de milho. Porém, para crescer verticalmente, Kraemer precisou mudar sua mentalidade em relação à agricultura.

"Comecei a observar que o problema da produtividade não estava na cultivar ou no fertilizante. Estava na baixa infiltração de água. Então, em 2017, comecei a utilizar coberturas com um mix multi-espécies", explicou.

O sistema que o produtor considera ideal é um mix com aveia/centeio, ervilha/ervilhaca e nabo. Os resultados têm sido excelentes, trazendo como benefício o aumento imediato da produtividade, aumento da diversidade biológica, redução de erosão, reciclagem de nutrientes, diminuição na compactação, interrupção do ciclo de doenças, controle de plantas daninhas e fixação biológica de nitrogênio.

"O modelo atual (de monocultura) considero falido. Temos que virar a chave, o produtor tem que sair a zona de conforto. O mix é uma tecnologia e o produtor tem que usar. Não adianta só vir na Expodireto e assistir a palestra. Tem que experimentar os conhecimentos", sugeriu Kraemer.

Gestão
Na sequência, o engenheiro agrônomo Pedro Basso, de Vacaria, explicou como realiza um planejamento de cinco anos com rotação de culturas em sua propriedade. Seu município se diferencia pelas baixas temperaturas, com constantes geadas, o que requer diferentes alternativas para enfrentar as intempéries.

O sistema atual de produção com cinco glebas, realizado por Basso, inclui cevada/soja, canola/milho, aveia/soja, feijão/trigo e milho/pastagem. O sistema foi planejado para um ciclo de cinco anos. A produtividade gira na média de 70 sc/ha de soja e 215 sc/ha de milho.

Além da alta produtividade, o planejamento gerou plantas e sementes com menor incidência/severidade de doenças, melhoria de condições físicas, químicas e biológicas do solo, aumento gradativo de fertilidade, estabilidade de produção, melhoria de fluxo de caixa, escalonamento de plantio e uso eficiente de maquinário.

"Gestão é fundamental para quem quer investir em um sistema de rotação de cultura com plantas de cobertura. O que você pretende daqui a cinco anos? Definido isso é possível começar a estruturar as glebas e a rotação que será feita seja com trigo, aveia, cevada quanto um mix com nabo e ervilha. Quanto mais cedo planejar, mais fácil será conseguir comprar insumos em condições melhores", reflete Basso.

O atual sistema de produção delimitado pelo produtor possui projeções até o ano de 2023. Logo, ele já possui uma ideia de quais culturas pretende investir em cada ciclo.

"É preciso ter jogo de cintura. Se em 2022 o mercado estiver ruim para alguma cultura, tenho que ter um substituto dentro do meu planejamento da gleba, ou seja, algo que irá me trazer rentabilidade", explica Basso.

Metas
O evento foi mediado pelo engenheiro agrônomo Carlos Mertins, da Cotrijal de Carazinho. Segundo ele, é preciso sentar com o produtor e planejar melhor a propriedade.

"Hoje sabemos que usar cobertura de forma racional e um mix são sistemas integrados. A palha que se usa no solo é uma herbicida que pode alimentar e nutrir micro-organismos do solo", comentou Mertins.

O agrônomo relatou que as pesquisas têm indicado que um mínimo de 12 toneladas de palha por hectare/ano pode aumentar o teor de matéria orgânica no solo.

"Onde aumentarmos 1% a matéria orgânica no solo, melhoramos macro e micróporos e aumentamos a capacidade de armazenar água, em cerca de 100 mil litros", garante.

Mertins ressalta que o diferencial está no planejamento a longo prazo. O produtor precisa otimizar recursos criando metas de produtividade.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Cotrijal